©2016 por Instituto Campana

Como estandartes, bastidores gigantes e suspensos no ar exibem os rostos de suas autoras na exposição Retratos Iluminados, no recém-aberto Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, CRAB, no Rio de Janeiro. A exposição ficará de 2 de junho a 30 de julho no local.

 

A produção é a materializacão da parceria dos Irmãos Campana com o Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI) que, através de um projeto inovador, conecta bordadeiras das comunidades de Sítios Novos, em Sergipe, e Entremontes, em Alagoas. O projeto também tem parceria com o Sebrae Nacional e com o governo do estado de Sergipe. As comunidades receberam os designers entre janeiro e julho de 2015.

 

A ideia de confeccionar grandes bordados com os pontos em cruz e redendê que elas usam tradicionalmente em retratos partiu dos Campana. “Quisemos colocar as bordadeiras como protagonistas e que elas mostrassem os seus rostos, como um ato afirmativo”, conta Humberto.

 

“Em vez dos temas tradicionais, propusemos essa mudança, como um gesto de liberdade, como que dizendo que é possível sair do habitual. E além disso, o bordado ganhou uma terceira dimensão”, diz Fernando.

 

Além das imagens das 35 artesãs, há um retrato de Humberto e um de Fernando. “A ideia de suspender os bordados também remete à ideia da paisagem humana que conhecemos na região do São Francisco e ao céu do interior”, diz Humberto.  

 

A experiência com as bordadeiras foi proporcionada pelo IPTI, que desenvolve pesquisas e tecnologias sociais voltadas à economia criativa, integrando arte, ciência e tecnologia. “Viajamos pelo interior do Brasil e conhecemos várias comunidades de artesanato no percurso do rio São Francisco. Em todos os locais, sentimos a sede de fazer nas pessoas”, conta Humberto.

 

“Curioso é que esse tipo de relação de pesquisa com técnicas tradicionais, como o que fizemos com as bordadeiras, nós aprendemos na Europa, conhecendo grandes mestres artesãos para aprender seus ofícios. Agora, estamos fazendo isso no Brasil e descobrindo trabalhos incríveis no país, o que nos dá um imenso prazer”, conta Humberto. Emergir em outro compasso de tempo e conhecer modos de vida muito conectados ao trabalho manual reabastece os designers de brasilidade.

 

Trabalhos como esse oxigenam a dupla e mostram novas possibilidades do trabalho, com outros tipos de suporte. “É muito legal esse intercâmbio. Aprendemos muito com elas. Parceiros proporcionam inovação ao nosso trabalho”, diz Fernando.

 

Nesse percurso para conhecer comunidades de rendeiras e tecelãs, os Campana tiveram a oportunidade de ver os trabalhos em palha de Santa Luzia do Itanhy, a associação de renda de bilro “Trilha do Cangaço”, em Poço Redondo, no Sergipe, as tecelãs da “Associação Poço Verde”, também no Sergipe, e a associação de bordado Boa-Noite, na Ilha do Ferro, em Alagoas.

 

A parceria com o IPTI é uma continuidade no processo de trabalho escolhido pela dupla para o Instituto Campana. No Instituto Campana, o objetivo é conhecer e resgatar as habilidades manuais que muitas vezes estão desaparecendo. No contato com os artesãos, buscam produzir trabalhos que compartilhem técnicas e materiais, sem descaracterizar o modo de fazer tradicional, mas estimulando a liberdade de pesquisa de novas formas. “O design é essa ferramenta. Queremos resgatar a manualidade, os processos. O fazer manual é terapêutico e é oposto da velocidade do mundo de agora. Nós precisamos do tempo humano do artesanato”, diz Humberto. “O design pode ser uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas”,               diz Fernando. 

O Instituto Campana realizou todo o trabalho com as bordadeiras pro bono. As peças serão vendidas na loja do CRAB e os lucros são divididos de acordo com o modelo de negócios que o IPTI criou, como parte da estratégia de dar sustentabilidade ao setor de artesanato.

Retratos Iluminados

Video produzido por Gabriela Bernd sobre o projeto.

Parceiros: